|
Diario de Pernambuco
05.07.2005
Hora e vez do sorgo
por Bruno Araújo
A avicultura de Pernambuco, líder no mercado de ovos e carne de frango do Norte e Nordeste, está ganhando um reforço fundamental para alimentar seu plantel de 10 milhões de frangos: a produção de sorgo granífero na região semi-árida do Estado gerando emprego e renda, até agora, para 2,8 mil pequenos agricultores sertanejos. Com uma safra recorde em 21 municípios dos Sertões do Araripe, Moxotó, Pajeú e de Salgueiro, o Estado deverá colher neste ano 56 mil toneladas, o que significa um incremento de 280%, em relação à safra do ano passado e um ganho de R$ 18 milhões para a economia pernambucana. São 22,5 mil hectares de área plantada, que deverá ser ampliada, até dezembro, para 35 mil hectares. Para o próximo ano, a previsão é de um plantio do sorgo em 50 mil hectares de terras sertanejas.
São boas notícias para os avicultores pernambucanos, que além de liderarem o mercado de frangos no Norte e Nordeste, respondem pela quinta produção de ovos do País e oitava maior de carne. Para manter esse crescente mercado,o nosso setor avícola tem se ressentido bastante com a irregularidade da produção nacional de milho, principalmente neste ano quando houve uma queda brutal na safra do grão, em virtude da estiagem que acometeu as maiores regiões produtoras do Brasil situadas no Centro-Sul. Quem produz sabe que sem matéria-prima não há negócio que prospere em lugar nenhum no Mundo, e o milho é o principal componente da ração do frango. Daí a importância do sorgo, que já está inclusive inovando a culinária pernambucana. No Sertão do Araripe, os agricultores estão comemorando não somente a expansão da cultura na região, mas, também, o incentivo à população local que vem utilizando o grão para produzir comidas típicas como canjica, xerém, pamonha, bolos, pastéis, empadas e até pipoca durante o período junino, como têm registrado os jornais. Quem tem degustado essas iguarias aprova com satisfação.
Mais resistente que o milho à inclemência da estiagem no semi-árido, e com a vantagem adicional de produzir duas safras anuais, a produção de sorgo é um vitorioso projeto que vem sendo desenvolvido pelo Governo do Estado, através das secretárias de Produção Rural e Reforma Agrária e de Planejamento, em parceria com a Associação Avícola de Pernambuco (Avipe), Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e com o decisivo apoio das prefeituras municipais, sindicatos e associações de produtores rurais. Para um Estado em que 90% de suas mais de 260 mil propriedades rurais estão na base da sustentação familiar, produzir uma agricultura de fácil manejo que requer entre 250 a 300 milímetros de água por ano para produzir duas safras - metade das precipitações pluviométricas que o milho necessita - é uma conquista de forte dimensão social na geração de emprego, renda e fixação das famílias no seu habitat. Mais ainda, como o caso do sorgo, quando 70% de sua safra tem garantia de compra em 40% pela Conab e 30% pela Avipe.
Bruno Araújo é deputado estadual pelo PSDB
voltar
|