Diario de Pernambuco
07.09.2004


Estaleiro e auto-estima

por Bruno Araújo

Durante décadas Pernambuco sonhou com um grande projeto industrial para alavancar a sua economia. Chegou-se a pensar, nesses últimos 20 anos, em uma grande siderurgia, uma montadora de automóveis e uma refinaria de petróleo. Nenhum desses grandes projetos aportou no nosso Estado. Talvez porque, para a atração de um empreendimento dessa envergadura faltasse primeiro criar-se uma infra-estrutura adequada e uma eficiente logística.

Essa visão de criar as ferramentas necessárias para induzir o crescimento econômico teve o governador Jarbas Vasconcelos, logo ao assumir seu primeiro mandato, em 1999. Com sua equipe de trabalho estabeleceu metas, conferiu prioridades e investiu fortes nas áreas portuária, rodoviária, aeroviária e de recurso hídrico. A estratégia de investir em infra-estrutura para transformar Pernambuco em um importante pólo de atração industrial, comercial, tecnológico e de serviço demonstrou o acerto das medidas governamentais.

Suape foi modernizado tornando-se realmente um complexo industrial-portuário, que no mapa do desenvolvimento pontifica como a grande força motriz da economia pernambucana. Duplicada e recuperada no trecho Recife-Caruaru, e agora, Caruaru-São Caetano, este último trecho com a obra iniciada no mês passado, a BR-232 desponta como a maior logística rodoviária do Estado, interiorizando o desenvolvimento econômico e social e promovendo o escoamento da produção para a capital e para os portos de Suape e Recife. O Aeroporto Internacional dos Guararapes/Gilberto Freyre, que entrou em operação experimental no mês passado é hoje o mais moderno aeroporto do Nordeste e um dos melhores do País.

Outro elo vital na composição básica da infra-estrutura é o abastecimento d'água para a população e seu suprimento para as atividades produtivas, notadamente o setor industrial. O programa Águas de Pernambuco, com mais de 200 obras concluídas ou em andamento em todos os cantos do Estado, beneficia atualmente três milhões de pessoas. Com investimentos de mais de R$ 400 milhões, o Águas de Pernambuco é o maior programa de obras hídricas que um governo realiza neste Estado.

Assim, com essa infra-estrutura pronta, funcionando, e Suape com o complexo industrial-portuário dinamizado, Pernambuco criou o cenário adequado não apenas para atrair um grande projeto industrial, mas um megaprojeto. Bem melhor: um cluster inteiro chamado Estaleiro da Camargo Correia. Como uma mão espalmada, os dedos indicando as várias direções, o estaleiro vai apontando as suas necessidades que, na prática significa o surgimento de novas indústrias e expansão de linha de produção de plantas industriais aqui existentes. É uma cadeia produtiva que se revela nas áreas de estruturas metálicas, pintura e tratamento de superfícies, usinagem, calderaria, metalurgia, tubulações, formação de mão-de-obra especializada com expansão do emprego também na área do saber e conhecimento, em especial nos campos da ciência e tecnologia. Abre espaços, ainda, no Senai para capacitartrabalhadores e na Universidade Federal de Pernambuco e Universidade de Pernambuco, para a geração de profissionais em nível superior.

Ao inserir Pernambuco na rota da economia mundial, com a produção de navios e plataformas de petróleo, negócios bilionários, que registraram no ano passado um montante de US$ 73 bilhões e no próximo ano chegará a US$ 81 bilhões, o estaleiro traz ainda mais um bem valioso que não tem preço: a auto-estima do povo pernambucano, tão importante como os 30 mil empregos diretos e indiretos que serão gerados no nosso Estado, e um faturamento anual previsto em R$ 1 bilhão. Nunca se viu tanto orgulho no povo, desde o homem simples aos empresários, políticos, formadores de opinião, sindicalistas, religiosos. Enfim, a sociedade civil organizada em seus mais diversos segmentos.

Bruno Araújo é deputado estadual pelo PSDB

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Deputado Federal Bruno Araújo - PSDB/PE