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Tecnologia nuclear
por Bruno Araújo
Há alguns dias, com a presença do Vice-Presidente da República, Marco Maciel, do Ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Mota Sardenberg, políticos das esferas federal, estadual e municipal, reitores e outras autoridades, foi feito o lançamento solene do Edital de Licitação para a construção da primeira etapa do Centro Regional de Ciências Nucleares (CRCN). A participação de tão expressivas lideranças no lançamento de um simples edital é plenamente justificável, pois trata-se do maior investimento em ciência e tecnologia no País em muitos anos. Somente na primeira fase serão investidos cerca de R$ 20 milhões até o fim de 2002.
O projeto como um todo é ambicioso, devendo consumir em torno de R$ 200 milhões em dez anos. Ambicioso, mas fundamental na diminuição das conhecidas disparidades regionais. É fruto de um convênio que envolve a Comissão Nacional de Energia Nuclear, a Fundacentro e a UFPE. Contempla, nessa primeira fase, laboratórios voltados para o controle do emprego das radiações ionizantes, aquelas que emanam de certas máquinas, como os aparelhos de raio-X, e das substâncias radioativas, empregadas em medicina, indústria e pesquisa, além de toda uma estrutura de suporte técnico e administrativo, como um auditório, biblioteca, acomodações para pesquisadores visitantes, oficinas etc.
Na fase seguinte será implantado um ciclotron, instrumento capaz de produzir materiais radioativos, ditos isótopos, de curta duração. Na Unidade de Radiofarmácia, também prevista nessa fase, esses materiais serão transformados em radiofármacos, produtos usados nos diagnósticos precisos de diversas enfermidades, que poderão ser realizados no próprio CRCN. Isso fará com que Pernambuco se equipare ao Sul do País em Medicina Nuclear, além de passar de importador a exportador desses produtos. Um Laboratório de Caracterização Química, capaz de determinar a presença de minúsculas quantidades de contaminantes químicos em amostras biológicas e ambientais, integra a segunda fase do projeto, que será complementada com um irradiador múltiplo, que objetiva introduzir na região as modernas práticas de esterilização, conservação e beneficiamento de alimentos, produtos cirúrgicos e outros artefatos.
A terceira e última etapa prevê a implantação de um reator de pesquisas, que produzirá isótopos radioativos que não são produzidos em ciclotron e será capaz de realizar análises avançadas de materiais. Com isso, ficará o Nordeste inteiramente auto-suficiente em termos capaz de oferecer uma vasta gama de serviços só possíveis com um reator de pesquisas desse porte.
É inquestionável o papel que o CRCN irá desempenhar no progresso de Pernambuco e do Nordeste. Ao óbvio desenvolvimento do pólo médico deve-se juntar sua atuação como catalisador de novos empreendimentos, tanto de tecnologias convencionais como de ponta. Não é à toa que, desde o primeiro momento, esse projeto tem contado com o decisivo apoio de parlamentares de todo o espectro político, comprometidos mais com o futuro de seu Estado do que com questões político-partidárias.
Ao mesmo tempo, houve, por parte dos órgãos ambientais federais, estaduais e municipais, o maior empenho para localizar apropriadamente o CRCN. Sua posição, dentro do campus da UFPE (como é o caso do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, que tem um reator e fica dentro do campus da Universidade de São Paulo), é estratégica sob vários aspectos: facilitará a integração com os pesquisadores universitários e com o Hospital das Clínicas. Em relação às outras universidades e ao Pólo Médico privado do Recife, a distância não é proibitiva, vez que a relativa proximidade do aeroporto e de importantes entroncamentos rodoviários é um aspecto relevante no que tange ao translado de pacientes que serão diagnosticados no Centro e ao despacho de radiofármacos. Por tudo isso, está Pernambuco de parabéns por essa importante conquista. Numa época de escassos recursos federais, a vinda do CRCN mostra que o Estado atingiu a maturidade científica, tecnológica e política para atrair investimentos que irão sobremaneira ajudar a modificar a face do Nordeste.
Bruno Araújo é deputado estadual pelo PSDB
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