Confira pronunciamento do deputado Bruno Araújo na Câmara Federal
Confira, a seguir, o pronunciamento do deputado Bruno Araújo nesta terça-feira,06, no plenário da Câmara Federal:
O SR. BRUNO ARAÚJO (Bloco/PSDB-PE. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Ministério das Relações Exteriores é sem dúvida uma das mais importantes e bem qualificadas instituições brasileiras. O Itamaraty sempre se balizou por princípios fundamentais, como a solução pacífica das controvérsias e a não-intervenção. Seu corpo diplomático é responsável por assessorar o Presidente da República na formulação e execução da política externa brasileira.
Ao longo da história, o Itamaraty contribuiu de forma decisiva com o Brasil, interna e externamente, além de intermediar conflitos internacionais entre outros países.
Com passagem de diplomatas de referência na instituição e na história do Direito Internacional, a exemplo do Barão do Rio Branco, Joaquim Nabuco e Oswaldo Aranha, esta semana, Sras. e Srs. Deputados, o Brasil lêa entrevista de um dos mais experientes embaixadores do nosso corpo diplomático, Roberto Abdenur, publicada nas páginas amarelas da revista Veja, que traz denúncia e afirmações que precisam ser acompanhadas por esta Casa legislativa.
Denuncia que a política externa do Governo Federal é contaminada pela orientação ideológica: Há um sentimento generalizado de que os diplomatas hoje são promovidos de acordo com sua afinidade política e ideológica, e não por competência. As promoções internas têm como critério a afinidade de pensamento, e não a competência.
Fala em doutrinação ideológica, em curso no Itamaraty: Um processo de doutrinação assim no Itamaraty não aconteceu nem na ditadura”. Diplomatas de categoria, não apenas jovens, são forçados a fazer certas leituras quando entram ou saem de Brasília. Livros que têm viés dessa postura ideológica. É uma coisa vexatória.
Há intolerância à pluralidade de opinião.Mesmo no regime militar, quando havia imposição de ideologia anticomunista, nunca se impôs aos seus membros e ao corpo diplomático concordância com a mesma.
Talvez o Itamaraty seja, entre as instituições civis, a que tenha a maior sistematização hierárquica. Sou defensor claro de que o Itamaraty, acima de tudo, é responsável pela obediência às diretrizes da política externa, definidas pelo Presidente da República, mas, antes de tudo, o Itamaraty é uma instituição mais perene do que os mandatos de quem exerce a Presidência.
A legitimidade foi auferida pelo povo brasileiro à Presidência da República – esta tem todo o direito de imprimir sua vontade nas políticas e diretrizes internacionais – , mas é necessário que se respeite a pluralidade ideológica, a diversidade de idéias, que sempre caracterizou o Ministério das Relações Exteriores, que sempre teve no conceito internacional grande reconhecimento por suas atitudes e posições.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, peço a esta Casa e, particularmente, à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, que será instalada em algumas semanas, especial atenção a um caso, à denúncia trazida por um embaixador que tem formação de esquerda e sempre foi respeitado em todos os Governos que passaram e comandaram o Ministério das Relações Exteriores.
Esta denúncia, esta preocupação e esta afirmação precisam de um acompanhamento claro, pedagógico e atento por parte desta Casa.
Era o que tinha a dizer.
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