Deputado tenta desde quinta voltar ao Brasil

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O deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE) é uma das vítimas do caos gerado na Europa após a erupção vulcânica na Islândia. Desde a última quinta-feira, ele tenta, sem sucesso, embarcar de volta para o Brasil. Estava em Londres, foi anteontem de trem até Paris, conseguiu ontem alugar um carro na capital francesa e se arriscou, sozinho, a encarar 16 horas de viagem com destino a Madri. Espera que sua peregrinação tenha fim hoje. O parlamentar pernambucano tem voo marcado para as 23h no aeroporto da cidade espanhola.

“Nunca tinha visto isso na vida. A desordem é total”, ressaltou ele, em entrevista por telefone ao Jornal do Commercio, numa pausa enquanto dirigia com o inseparável GPS. Araújo chegou à Inglaterra na terça-feira passada para um encontro no dia seguinte com a ativista iraniana Shirin Ebadi, Nobel da Paz em 2003. Na quinta-feira, quando deixou o hotel em Londres com destino ao aeroporto, viu na TV que o céu não estava para avião. Desde então, sua viagem virou, como ele mesmo define, “uma verdadeira saga”.

Heathrow foi o primeiro aeroporto a fechar. Bruno Araújo decidiu ir de trem para Paris e, de lá, encontrar uma saída. “Mas os trens estavam lotados. Você só consegue vaga para três, quatro dias depois. A dificuldade é grande”, conta, assustado. Ao desembarcar na cidade francesa, às 19h de anteontem, deparou-se com uma placa na estação de trem avisando que não havia mais bilhetes. Com a ajuda de funcionários da Câmara, em Brasília, o deputado federal conseguiu locar um veículo ontem e foi orientado a se dirigir a Madri. “As estradas estão cheias, assim como as estações de trem e os aeroportos. A situação, em todo canto, é a pior possível”, reclama o parlamentar.

Araújo tem voo de volta para o Brasil marcado as 23h de hoje, pela TAM, que remarcou sua viagem sem custo adicional. “O transtorno é muito grande”, ressalta. Segundo ele, é comum ver pessoas dormindo nas estações de trem e aeroportos. Os hotéis estão superlotados. “É gente chorando, desesperada, sem saber o que fazer. E não se vê nenhuma medida para acalmar a população. Estão todos desamparados”, afirma.

O também pernambucano Agostinho Lopes enviou para o e-mail da reportagem foto do guichê de um terminal do aeroporto de Zurique completamente vazio. O recifense espera voltar hoje ao Brasil.


Publicado em 20.04.2010
Wagner Sarmento
wsarmento@jc.com.br

Jornal do Commércio

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