Os seis deputados federais brasileiros que estão em missão em Tagucilgapa, capital de Honduras, receberam autorização para visitar as instalações da Embaixada do Brasil no país. A visita acontece no início da noite desta quinta-feira. A autorização do governo hondurenho, que antes tinha permitido apenas a visita ao entorno do prédio, aconteceu na manhã de hoje.
De acordo com o deputado pernambucano Maurício Rands (PT), um dos integrantes da delegação da Câmara, em entrevista por telefone, a visita ocorre depois de uma conversa com a mesa diretora do Congresso Nacional.
O deputado Bruno Araújo (PSDB), que também faz parte da delegação, acrescentou que a Suprema Corte hondurenha garantiu que não vai aceitar atos de agressão contra a embaixada brasileira, nem sua violabilidade. Além disso, todos os serviços básicos, como água e energia elétrica, terão o fornecimento normalizado.
Desde ontem em Honduras, os deputados já cumpriram uma extensa agenda. Reuniram-se com integrantes da Suprema Corte, do Conselho Nacional de Direitos Humanos e com representantes da comunidade brasileira. “O clima é de um país dividido, com dificuldade de chegar a um acordo, mas sem violência. Entre os brasileiros, há também divisão de opinião. A classe média alta está pró Roberto Michelletti”, comentou Rands.
Segundo o deputado, a partir das conversas, foi possível perceber a existência de uma “luz no final do túnel”. “Algumas pessoas acreditam na proposta do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, de criar um governo de conciliação”, comentou.
A comunidade brasileira residente em Honduras, cerca de 500 pessoas, publicou um manifesto contra a diplomacia brasileira, conforme informou o parlamentar Bruno Araújo. Boa parte estaria a favor do governo de fato e estaria incomodada com o apoio dado pelo Brasil ao presidente deposto Manuel Zelaya. “A comunidade brasileira fez um apelo ao nosso governo para que chegue a uma solução rápida para o status de Zelaya. Os brasileiros, além de não poderem contar com a assistência da embaixada local, estão se sentindo desconfortáveis, porque, no ambiente em que eles vivem, a maioria hondurenha é a favor do atual governo e a visão que os nativos têm do Brasil é que existe uma proteção a Zelaya”, revelou Araújo.
A delegação do Brasil não pretende interferir nas negociações políticas de Honduras. “Nossa missão é mais modesta”, frisou Maurício Rands. A principal preocupação da delegação brasileira é de garantir a integridade física da missão diplomática do Brasil em Honduras. O presidente deposto, Manuel Zelaya, está abrigado na Embaixada brasileira e, do lado de fora, há um cerco de militares e policiais encapuzados.
Além de Rands e Bruno Araújo, estão em Honduras os deputados Raul Jungmann (PPS-PE), Cláudio Cajado (DEM-BA), Ivan Valente (PSOL) e Janete Pietá (PT-SP).
Os parlamentares chegaram na noite de ontem a Tegucigalpa e devem voltar ao Brasil amanhã pela manhã. Os seis deixam Honduras em voo para São Salvador, capital de El Salvador, e, em seguida, voam para o Brasil. A chegada está prevista para a noite.
Fonte: Diário de Pernambuco
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