Confira notícia publicada no Diário de Pernambuco do dia 03/10/2009.
Encontro marcado em Honduras
CRISE // Representante da OEA confirmou reunião com representantes de Zelaya e Micheletti
Brasília – Depois de mais de 280 horas de polêmica, recusa ao diálogo, incitação à violência e uso da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa pelo presidente deposto, Manuel Zelaya surgiu ontem brecha para o bom senso em Honduras. John Biehl, representante da Organização dos Estados Americanos (OEA), revelou que o líder afastado e o governo interino de Roberto Micheletti concordaram em conversar na próxima semana para buscar saída para a crise causada pelo golpe de Estado de 28 de junho. “Haverá um pedido de diálogo (…). Será feito pelo governo em exercício e a outra parte aceitará. Isso está combinado. Por hora, não deve haver encontro direto”, afirmou o diplomata.
Segundo Biehl, o diálogo deve começar antes de quarta-feira, quando o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, chefiará missão de chanceleres ao país.
Zelaya, ontem, prometeu esquecer a convocação da Assembleia Constituinte -uma manobra para se perpetuar no poder. “Estamos prontos para negociar, para o diálogo, mas antes o governo de Micheletti deve suspender as restrições dos direitos civis”, declarou Carlos Eduardo Reina, líder da Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado. Uma demonstração de abertura foi dada ontem por Micheletti, que recebeu em seu gabinete congressistas norte-americanos que haviam pedido ao presidente dos EUA, Barack Obama, que parasse de apoiar Zelaya. “O apoio de Obama a esse ditador em potencial e amigo de Chávez (Venezuela) impedirá membros do Congresso de saberem a verdade”, alertou.
Discórdia – O grupo de deputados brasileiros que viajou a Honduras para acompanhar a crise no país enfrentou conflitos internos, na quinta-feira, ao receber convite de Micheletti para um jantar. Os deputados Ivan Valente (PSol-SP) e Janete Pietá (PT-SP) se recusaram a comparecer, enquanto os outros que integram a comissão se reuniram com Micheletti. O Brasil não reconhece o governo interino e as relações entre os dois países estão paralisadas. Por esses motivos, Valente criticou Cláudio Cajado (DEM-BA), Bruno Araújo (PSDB-PE), Maurício Rands (PT-PE) e Raul Jungmann (PPS-PE), coordenador da missão, por terem ido ao jantar. “Achamos que encontrá-lo poderia ser entendido como legitimação do governo golpista”, explicou.
Rands garantiu que não descumpriu ordens do governo. “Viemos dialogar. Deixamos claro que não concordamos com o governo de fato.” Valente não se mostrou convencido e chamou os colegas de “ingênuos”, uma vez que todos combinaram de não entrar em contato “com qualquer pessoa do governo Micheletti”.
Fonte: Diário de Pernambuco
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