Irã: o que não podemos esquecer

Quando criticamos aqueles que apoiam o governo do Irã, a ideia não é a crítica pela crítica, sem fundamento. Criticamos porque não concordamos com a postura dos que não sabem o que está ocorrendo naquele país. Ou pior: fazem de conta que nada acontece.

Quem se informou sobre o povo iraniano e sobre a sua situação não pode ser frio e pensar exclusivamente no que o Brasil, ou alguns líderes, podem ganhar com reuniões entre diplomatas, políticos e empresários para fazer negócios, como se tudo estivesse bem por lá.

As coisas não estão nada bem no Irã. O regime está se esgarçando e aumenta a repressão política contra os opositores de regime. Ainda sofremos no nosso meio político as marcas da repressão vivida no Brasil até a década de 80 do século passado. Entender-se com um regime que apela para a violência para se manter no poder é grave erro.

As notícias que chegam aqui mostram o desrespeito por coisas que consideramos entre as mais importantes para os indivíduos em qualquer lugar do mundo: a liberdade e os direitos humanos.

O direito de poder falar das coisas de que gostamos, dos sonhos e daquilo em que acreditamos, sem medo de sermos perseguidos. O direito de poder rezar para Deus da forma que acharmos melhor. O direito de discordar dos governantes, claro que com respeito e dentro da lei. O direito de pedir por mudança quando percebemos que o governo não sabe mais como resolver os problemas do povo.

Resumindo, nos dias de hoje está sendo negada a possibilidade de os iranianos viverem em paz e em um regime democrático. Os exemplos são muitos. Ocorre na diferença de tratamento a homens e mulheres, com o absurdo de considerar que uma mulher vale a metade do homem; nas ações contra os homossexuais; na repressão radical e violenta contra as religiões, chegando ao ponto de algumas crenças não serem reconhecidas. É o caso do grupo chamado baha’i, que tem sido perseguido ao ponto de muitos de seus integrantes estarem considerando uma espécie de genocídio cultural. O fato de terem uma religião diferente os tornam ameaçadores para o regime iraniano.

A intolerância também atinge outros grupos. Os vídeos que estão na internet mostram coisas assustadoras. Mulheres sendo apedrejadas ou enterradas vivas acusadas de adultério. Filas de postes com homens enforcados, acusados de homossexualismo. Homens e mulheres sendo mortos porque tiveram coragem de se opor ao governo. Porque disseram: “Eu discordo!”

Testemunhos de pessoas que escaparam do Irã confirmam o que está ocorrendo e, agora, começam ser divulgados casos de corrupção, com desvios de bilhões de dólares, envolvendo os chefes do governo e seus parentes. Como disse a iraniana ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2003, Shirin Ebadi, o povo “expressa seus anseios de maneira pacífica, mas recebe balas e prisão”. Mas, como ela também observou: “O povo já está cansado, não tem nada a perder. Suas leis, sua história, seu dinheiro, foram todos tomados. Ele já não tem medo do governo”.

Pois esse país, que não respeita a diversidade e é intolerante, é o país que quer aprofundar laços com o Brasil. Outro ponto de preocupação é o súbito interesse do Irã por nossas pesquisas nucleares. Tal fato é preocupante na medida em que o Irã é um pária na comunidade internacional por se recusar a abrir suas instalações nucleares à fiscalização internacional.

Por tantas razões não dá para acreditar que o Brasil esteja disposto a aprofundar suas relações com o Irã. Pior, não temos nada a aprender com eles e eles não parecem interessados nas lições de tolerância religiosa, racial e sexual que o Brasil pode dar. Não vale, por um punhado de dinheiro, expandir relações econômicas com quem não respeita os direitos humanos mais básicos.

Bruno de Araújo
Deputado federal pelo PSDB de Pernambuco, vice-líder do partido na Câmara

1 já comentou! Comente ou link essa página
  1. Joao da Silva comentou:

    Eu também acho que o Irã deve abandonar o programa nuclear.

Nome:

Email:

Site:  

Comentar:

Divulgue!


Coloque esse link no seu blog, site, twitter ou orkut!

Post to Twitter Envie para o Twitter
Coloque no seu Twitter esse post!

Receba no Email
Receba no Email atualizções do site!

Adicione no Orkut
Entre na nossa comunidade!

Assine no RSS
Assine e receba o RSS Feed!


Baixe em PDF essa notícia.

Envie por e-mail Envie por e-mail
Envie por e-mail para um amigo!