Após dias de atropelos por causa do fechamento de aeroportos europeus por causa da erupção de um vulcão na Islândia, enfim, o retorno para o Estado
À medida que os aeroportos europeus retomam a normalidade, pernambucanos que estavam impossibilitados de embarcar para o Brasil começam a voltar para casa. Eles estão entre as milhares de pessoas prejudicadas pela nuvem de cinzas da erupção de um vulcão na Islândia na quarta-feira da semana passada. O deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE) chegou anteontem, após seis dias de peregrinação. O parlamentar estava em Londres desde o último dia 13, para um encontro com a ativista iraniana Shirin Ebadi, Nobel da Paz em 2003, e deveria retornar ao Brasil dois dias depois. Mas ele só conseguiu embarcar na terça-feira, no aeroporto de Barajas, em Madri.
Araújo foi de trem da capital inglesa para Paris e lá conseguiu, com a ajuda de funcionários da Câmara, em Brasília, alugar um veículo particular. Orientado a viajar de carro até Madri, o deputado e seu GPS encararam mais de 16 horas de uma viagem que teve até acidente. “Para piorar minha situação, uma carreta virou bem na minha frente. Fiquei duas horas parado porque a estrada foi interditada”, conta ele, já no Recife. Perto da cidade espanhola, seu automóvel ainda quebrou, atrasando por mais alguns minutos a viagem.
O voo que trouxe o parlamentar partiu de Madri às 23h da última terça-feira. Bruno Araújo chegou a São Paulo às 5h30 de anteontem, de onde seguiu para Brasília. E criticou o critério adotado pelas companhias aéreas para remarcação das viagens. “Estão dando prioridade a quem tem bilhete marcado para o dia do voo. Eu achava que deveria priorizar quem está atrasado. Essas pessoas estão sendo encaixadas quando tem vaga. Ainda tem muita gente por lá. Até escoar essa demanda vai levar uns dias”, afirma.
A viagem de volta para o Recife também foi uma dor de cabeça para o consultor e comerciante Gérson Aguiar, 47 anos, a esposa, o filho e mais dois parentes. Eles deveriam embarcar no último domingo de Paris para Lisboa e da cidade portuguesa para o Brasil. Mas, com o fechamento dos aeroportos franceses, tiveram que pagar 1.750 a um motorista para levá-los até Lisboa. Na remarcação da viagem, Aguiar e família só conseguiram um voo anteontem.
“O que mais nos angustiou foi a situação de impotência diante de tudo. As informações fornecidas também eram muito imprecisas. E não tivemos nenhum apoio”, reclama Aguiar, já no Recife. “Felizmente, acabou tudo bem”, completa. Gérson Aguiar informou que vai tentar o ressarcimento dos cerca de 2.500 gastos em hospedagem, transporte e alimentação.
GRUPO
Dez casais pernambucanos em viagem pela Europa tiveram que enfrentar 24 horas de estrada de Paris até Lisboa. O trajeto, que já estava previsto no roteiro, deveria ser feito de avião, mas o caos nos aeroportos fez o grupo optar por viajar de ônibus. A universitária Marina Andrade, 21, cujos pais estão no grupo, afirmou que eles irão desembarcar no Aeroporto Internacional do Recife amanhã, após dez dias de viagem.
Fonte: Jornal do Commércio – 23/04/2010
Wagner Sarmentowsarmento@jc.com.br
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