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Acima de tudo, a democracia

  • Equipe Bruno Araújo
  • 21 de mai. de 2025
  • 3 min de leitura

Folha de S. Paulo – Artigo (19/12/2021) Por Bruno Araújo




O PSDB vive um momento de redefinições. Mais uma vez, reafirmamos  nossa profissão de fé na economia de mercado, na defesa da livre iniciativa,  do empreendedorismo e da inovação. E reiteramos nossos compromissos  com a luta sem tréguas contra as desigualdades, com a promoção da justiça  social e do bem-estar comum, sem esquecer o combate à burocracia, ao  gigantismo estatal e aos privilégios das corporações. Por isso, temos apoiado  e participado ativamente da aprovação das reformas no Congresso Nacional. 

Mas nossa concordância com o governo do presidente Jair Bolsonaro para  aí. O PSDB reafirma, com ênfase, que nosso compromisso maior é com a  democracia. Valorizamos e prezamos as instituições, o Estado democrático  de Direito, as liberdades, a tolerância, a diversidade de pensamentos, de  opiniões e de escolhas. E, sobretudo, repudiamos o autoritarismo e o  estímulo à violência. 

O PSDB rechaça toda e qualquer ameaça a conquistas civilizatórias do povo  brasileiro. Preocupam-nos, em particular, os retrocessos percebidos nas  políticas ambientais, na nossa diplomacia, na cultura e, sobretudo, na  educação, porque depõem contra avanços que vinham sendo construídos há  décadas por toda a nossa sociedade. Também rejeitamos a interferência do  Estado em costumes e valores comportamentais de cada indivíduo: para nós,  cada um é livre para ser como quiser ser. 

Nos últimos dois meses, colocamos em marcha um inédito processo de  consulta às bases tucanas. Nunca antes na nossa história, um partido  brasileiro se abriu desta maneira ao escrutínio e à deliberação de seus  filiados. Neste período, foram mais de meio milhão de interações, pelos mais  diversos canais, sobretudo pelas redes sociais, com participação destacada  de jovens. 

O processo culminou num encontro no início de dezembro em Brasília,  reunindo 600 delegados escolhidos pelos diretórios estaduais do partido. Dali  saiu a carta de princípios que norteará o posicionamento do PSDB doravante.  De nós, não esperem tibieza: fiéis à nossa relevância histórica, firmamos  posição sobre todo e qualquer assunto importante da agenda nacional.  Podem cobrar. 

Nosso manifesto não é uma diretriz teórica, alheia à realidade. Pelo contrário.  O encontro que reuniu militantes, filiados, parlamentares, governantes e  lideranças do partido deixou claríssimo o que esperar do PSDB no momento  pelo qual o país passa.

Ao longo dos dois meses em que durou o processo de consultas, nosso  partido reafirmou, de um lado, seu caráter plural, tolerante e progressista. E,  de outro, reforçou seu perfil reformista, assumindo compromissos com  iniciativas que busquem produzir prosperidade econômica e ajudem o país a  superar a herança nefasta dos anos de destruição patrocinados pelos  governos de Lula e Dilma. Apoiamos as reformas econômicas até porque  elas estão no DNA do PSDB —e bem mais do que no do atual governo— e  coincidem com o que fizemos quando éramos governo e com o que  acreditamos que deva ser feito agora. 

Partidos políticos vivem crises, aqui e em quase toda parte. Tentam se  reinventar, redescobrir seus caminhos, recuperar relevância. Para a  democracia, é fundamental que encontrem novos rumos neste novo mundo.  Porque é no bom funcionamento das instituições que lidam com a política  que está a chave da resposta, jamais fora dela. 

De várias maneiras, estamos buscando um reencontro com a nossa história,  com o ideário, as realizações e os compromissos que nos permitiram  promover mudanças profundas na estrutura econômica e social brasileira  quando comandamos o país, entre 1995 e 2002, com o presidente Fernando  Henrique Cardoso. 

Desde que foi fundado, em 1988, o PSDB jamais foi talhado para aderir a  governos. Foi criado para liderar mudanças. Esta sempre foi nossa principal  característica e dela não nos afastaremos. Até porque, mais que nunca, o  Brasil precisa de um partido que seja o estuário dos que lutam contra a  polarização, contra a radicalização e contra a destruição da política. Mais que  nunca, o país precisa de quem seja a favor e não dos que se notabilizam em  ser sempre contra. 

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