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Presidente, o Brasil merece desculpas

  • Equipe Bruno Araújo
  • 21 de mai. de 2025
  • 3 min de leitura

Folha de S. Paulo – Artigo (03/04/2015) Por Bruno Araújo 



Em dois debates durante a campanha presidencial, Aécio Neves deu  oportunidade para que a presidente Dilma Rousseff pedisse desculpas aos  brasileiros por ter tirado a então maior empresa do país das páginas de  economia e a levado para o noticiário policial. Dilma ironizou a proposta e  negou qualquer relação com a crise na Petrobras. 

O que se sabia, então, era pouco, quase nada. Menos de seis meses e  algumas delações premiadas depois, ficou claro que o petrolão é o maior  escândalo de corrupção da história deste país. Mas a crise não é só de  corrupção. 

É também política, já que a presidente não controla sua base política e  perdeu o apoio até de parte de seu partido. É econômica, pois as contas  públicas estão fora de controle, gerando inflação e ameaça de desemprego.  E é, sobretudo, de confiança. A presidente mentiu durante a campanha e na  formação de seu governo. Mente ao não reconhecer a gravidade da situação. 

Assim, perde a confiança que a maioria dos brasileiros que foi às urnas lhe  deu em outubro passado. 

A última pesquisa do instituto Datafolha comprovou o que a rua já mostrava:  os brasileiros não confiam mais na presidente e em sua equipe. Sua gestão é  aprovada por apenas 13% dos eleitores. O pessimismo com a economia é  impressionante: os brasileiros acham que a situação do país vai piorar,  preveem que o desemprego aumentará e que a inflação vai crescer. 

Dilma quebrou a confiança do brasileiro. Os erros e as mentiras do passado  levaram à situação de insatisfação no presente e à desesperança com o  futuro. Em todas as regiões, classes sociais e faixas etárias. O  descontentamento é geral. Setores que pouco tempo atrás lhe deram a  vitória, agora a desprezam. 

No mesmo dia da divulgação da pesquisa Datafolha, o Brasil viu outra farsa  desmoronar. Com a saída espetaculosa de Cid Gomes do Ministério da  Educação, ficou evidente que a "pátria educadora" prometida na posse não  passava de um slogan. Cid foi um ministro tampão. 

Em sua gestão, o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) entrou em crise  e as universidades federais começaram a parar por falta de recursos. A pasta  teve um corte de R$ 7 bilhões e o Pronatec (Programa Nacional de Acesso  ao Ensino Técnico e Emprego) deixou de pagar as instituições formadoras. 

O fracasso é evidente. A verdade é que caminhamos em direção contrária ao  slogan. Em menos de três meses, houve corte de 31% no Orçamento do 

ministério, 30% no Orçamento das universidades federais, houve atrasos no  Pronatec, e milhares de alunos ficaram sem condições de renovar suas  matrículas em seus cursos devido ao arrocho no Fies. 

A educação andou para trás neste segundo mandato, assim como todo o  país. É mais um setor que perde a confiança no governo. 

Acuada, a presidente não consegue apontar caminhos para superar a crise.  Prefere usar de cinismo ao lançar um pacote de combate à corrupção inócuo,  com medidas recicladas e que já tinham sido apresentadas pelo então  presidente Lula como cortina de fumaça no auge da crise do mensalão. 

A presidente não precisa de pacotes, precisa da verdade. Precisa olhar nos  olhos dos brasileiros e reconhecer os muitos erros que cometeu. É o primeiro  passo da difícil caminhada para recuperar um mínimo de confiança da  população. 

Uso este nobre espaço para, repetindo Aécio Neves, fazer uma proposta à  presidente: Dilma, minha cara, peça desculpas aos brasileiros por todos os  seus erros e mentiras. O Brasil merece a verdade.

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